26-10-2010 22:13

Invenções metem droga nas cadeias

 Reclusos usam a imaginação para fazer entrar objectos proibidos dentro das prisões

 

   Telemóveis escondidos em comandos de televisão, droga dentro de laranjas e armas artesanais dissimuladas no interior de televisões.

   Nas cadeias, a imaginação não tem limites quando é preciso guardar ou fazer entrar objectos proibidos.

   Os guardas prisionais reclamam mais poder e meios para travar este flagelo, que pode pôr em causa a segurança das prisões.

   "Era importante haver um regulamento geral das portarias para que as pessoas soubessem que estão a entrar numa cadeia e não numa escola", afirma Jorge Alves, presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP).

 

   As revistas à entrada dos estabelecimentos prisionais são apertadas, muitas vezes com o recurso a raio-X, mas nem assim está a diminuir a entrada de bens ilícitos, sobretudo telefones móveis. É quase um jogo do gato e do rato. Sempre que os serviços prisionais reforçam os meios de detecção, os reclusos inventam novas formas de contornar os sistemas de segurança.

   Num caso recente, o familiar de um detido foi apanhado a tentar introduzir heroína na cadeia dentro de laranjas. Os citrinos com a droga tinham sido abertos e colados e seguiam num saco misturados com laranjas normais. Por mais do que uma vez foram apanhadas visitas com telemóveis de pequena dimensão escondidos nas solas dos sapatos. e até dentro de um pacote de leite já foi confiscado um telefone portátil, encaixado num molde. Quando passam a portaria, estes objectos passam a valer ‘ouro’.

   "SENTEM-SE IMPUNES": Jorge Alves, Pres. Sind. Nac. Corpo da Guarda Prisional

Correio da Manhã – Como é que continuam a entrar objectos proibidos nas cadeias?

   Jorge Alves – Por várias razões. Uma delas é o facto de as pessoas verificarem que no caso de serem apanhadas podem ir embora impunes. Por isso reclamamos ser reconhecido como Órgão de Polícia Criminal.

– Um telemóvel nas mãos de um preso é perigoso?

   – Muito, porque o contacto com o exterior pode levantar problemas de segurança, por exemplo, no transporte desse recluso ao tribunal ou a outra instituição.

– Defende mudanças nas portarias?

   – Devia haver um corpo de guardas só para as portarias, com formação específica, que pudesse estar em permanência 24 horas, para evitar possíveis facilitismos involuntários.

GUARDAM TELEFONES NO ÂNUS

   As televisões e consolas de jogos, permitidas na maioria dos estabelecimentos, são alguns dos esconderijos usados pelos reclusos. Como estes aparelhos tornaram-se suspeitos e podem ser fiscalizados durante as rusgas, os presos mais poderosos obrigam os mais vulneráveis a guardar a droga e os telemóveis no ânus durante a noite, sempre que presumem haver buscas. Um telefone portátil pode valer centenas de euros dentro da cadeia e garante o ascendente de quem o tem sobre os outros reclusos. O mesmo acontece com os estupefacientes, que são um dos principais factores de desestabilização das prisões por causa das dívidas acumuladas por alguns consumidores.

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